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"A Officio nasceu um dia

quando o vento mal bulia

e o mar, o céu prolongava

na amurada d'um veleiro

no peito d'um marinheiro

que estando triste cantava"

 

Mentira. Quem nasceu
nesse dia foi o fado português.

 

 

O surgimento

 

A Officio nasceu da AGS Comunicação, empresa do Laudelino Sardá e do Max Gonçalves, que já existia desde 1980 e poucos. Para montar impressos para os clientes, o pessoal da AGS mandava compor (como se dizia na época) os textos no Studio 4, em uma máquina chamada Gepeto. Do Studio, os textos vinham com excelente resolução mas apenas em colunas, tiras compridas que o arte-finalista havia calculado o comprimento antes de mandar para “composição”. Com estas tiras, mais cola e tesoura, ele montava a arte final que, a seguir, iria para o fotolito. Ou seja, era uma trabalheira danada.
Max Gonçalves, que também já era Presidente da Fenasoft, sabia que nos Estados Unidos todo o processo – pelo menos até a arte final – já era feito no computador. Eu visitava a AGS constantemente – sou sobrinho do Sardá – e achava espantosa a quantidade de coisas necessárias para se fazer um simples folhetinho.

Na mesma época,  eu cursava biologia na Universidade Federal de Santa Catarina e na graduação conheci o Marcelo Mazzoli. O Mazzoli era – e talvez ainda seja –  um dos caras que mais entendem da tecnologia nas áreas de editoração eletrônica, pré-impressão e até de impressão aqui em Florianópolis. E já em 1989 ou 90, ele tinha em seu apartamento um pc 386 que, naquela época, era o topo do topo de linha. E o mais fantástico: esse pc estava conectado à uma impressora laser! O Marcelo já sabia desde aquele tempo o que se podia fazer com essas coisas. Já havia lido tudo em português e inglês, já utilizava software como o Ventura Publisher, o Harvard Graphics, entre outros e, sabendo do meu interesse por estas coisas, um dia me convidou: “Eduardo, vamos montar uma empresa de desktop publishing?” Eu respondi prontamente “vamos, mas o que é isso?”. Aí ele me explicou, ou ao menos tentou: “desktop publishing é o processo pelo qual se projeta, se prepara, se monta um impresso”. Foi então que eu lembrei do Sardá e da AGS.
Quando contei para o Sardá, ele ficou obcecado pela idéia de ter alguém operando o Ventura Publisher na sua empresa e pediu para participar da nossa empreitada.

(Não me perguntem por que ou como dois biólogos foram parar no design gráfico, já que, realmente, não tem muito a ver uma coisa com a outra. Na verdade, tratava-se de um hobbie que virou profissão. Costumávamos usar nossos conhecimentos gráficos nos trabalhos acadêmicos e técnicos que realizávamos. Minha monografia de conclusão de curso, por exemplo, ficou lindíssima.
Eu abandonei a biologia por completo mas o Marcelo, depois de mais de 10 anos, voltou, fez doutorado em felinos em uma universidade da Inglaterra, esteve na África, e hoje trabalha com pumas, as nossas onças pardas, em uma universidade de Lages).

Comparecemos todos à reunião inicial para a concepção de uma empresa de ”criação gráfica”. O nome que eles – Max e Sardá – escolheram a nossa reveria, mesmo depois de sugerirmos e de eles aprovarem outra idéia, era AGS composer. Achei horrível, o Marcelo também não gostou muito, mas assinamos os papéis assim mesmo. No outro dia já nos foram dados um house organ e uma revistinha de 24 páginas para serem “compostos”.
Instalamos nossas máquinas e começamos a trabalhar. Eu em 286, utilizando o Ventura, que operava em cima do DOS – sistema operacional da Microsoft. Já existia o Windows 3.0 mas os software da época ainda estavam se adaptando a ele. Eu fiquei de sexta-feira até segunda, direto, sem ir para casa, trabalhando nesse jornalzinho de 6 páginas (uma viúva). Aprendi a usar o Ventura. O Marcelo, no mesmo período, praticamente aprontou a revista e já começou a testar um novo e revolucionário software para DOS que ele havia comprado: o maravilhoso CorelDraw 1.0.
Naquele tempo, nem sabíamos o que era macintosh.
Na verdade esses primeiros trabalhos não eram criados por nós. Apenas copiávamos a diagramação que era desenhada pelos diagramadores. Os diagramas vinham prontos, com medidas, tipos e tamanhos de letras etc. Era, ainda, um trabalho braçal.

A AGS composer foi, então, o embrião da Officio. Nos próximos capítulos, conheça seus personagens inesquecíveis.




 

 

 

 

A história da Officio será contada nesta página periodicamente.
Não que estes períodos venham
a ser de muita precisão, mas os capítulos, certamente, serão cada
vez mais emocionantes.
No futuro, esses textos valerão milhões.


Equipe

Cesar Saliés

Eduardo Faria

Gabriel Portela


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